• Natália Jorge

Receita: meu primeiro pão

Atualizado: Abr 21

Há quem diga que você só é um quarentener se você já fez um pão.


Fazer pão nunca esteve tão em alta e este gráfico de busca da palavra "pão", no google, é a prova.


Vamos combinar, a conjuntura é favorabilíssima: tempo não falta; lugar é o mesmo sempre, o que te permite monitorar; sua padaria favorita fechou e/ou você quer evitar ao máximo sair de casa; você precisa de entretenimento, esvaziar a cabeça e ao mesmo tempo produzir; você está carente de contato social e nessas horas só quer uma comida comfy e cheia de carboidratos; sua casa precisa ter cheiro de lar; você procura receitas com produtos menos perecíveis e mais fáceis de encontrar. Junta todos esses fatores e bum.


Confesso que eu nunca tinha me interessado por fazer pão - fora uma tentativa de focaccia que pareceu o arpoador de tão dura e os sempre certeiros chapatis - porque acho que Brasília tem boa oferta de padarias (muito acima do nível médio dos restaurantes, aliás), o que sempre me fez achar mais conveniente comprar pronto do que gastar horas pra um produto final não tão perfeito quanto os pães da Varanda ou da Castália, por exemplo.


Mas aí chega o #coronavirus chutando a porta e gerando todo o bouleversement de comportamento e até eu, que sempre fui do time #saudemosamandioca, me vi usando mais trigo no último mês do que em toda minha vida. De 30 dias em casa, foram praticamente 20 bolos diferentes, 10 massas frescas e minha última conquista: um pãozinho rústico de casca dura, bem dura, mais conhecido como Enzo (aliás, qual será o nome mais popular entre os baby boomers pós-pandemia? Ainda farei essa enquete no instagram. Na última enquete, por sinal, chegamos à conclusão de que o hino "Evidências" é o mais provável de engajar todos em uma eventual cantata nas janelas durante a quarentena. Experimente).


Voltando ao que interessa, ao Enzo. Como estava falando, nesses dias me vi querendo receitas bem confortáveis e que envolvem cuidado e carinho, mas, claro, não fui direto me arriscando em um sourdough, pois quarentena também é momento de evitar mais decepções, e por acaso achei uma receita fácil e ótima para iniciantes no ofício, no site de receitas do NYT. Vamos conceber.


Enzo


Ingredientes:

3 xícaras de farinha de trigo

1 colher de café de fermento biológico instantâneo

1 colher de chá de sal

1 xícara e meia de água em temperatura ambiente


Modo de Preparo:

Primeiro, faça a conta das horas necessárias para cada processo, pra não ter que acordar 5h da manhã tipo eu rs.


1) Misture os ingredientes secos em um bowl e depois adicione a água. Não é preciso sovar. Apenas incorpore (em menos de 1 minuto misturando TAOKEI). Cubra o bowl com um plástico filme e deixe descansando, em temperatura ambiente, por de 12 a 18 horas.


2) Passadas as horas, sua massa vai ter dobrado de tamanho e vai estar cheia de alvéolos, tipo um pulmão sem corona. Tire a massa do bowl com delicadeza, sem pressioná-la ou amassá-la, e coloque-a em uma superfície enfarinhada, acariciando-a por fora, com farinha nas mãos, para que fique lisa e arredondada. A partir dessa bola, faça 4 dobras, cada uma puxando de um lado e dobrando pro centro e com cuidado para que a massa não se rompa nas puxadas. Se a massa fosse um relógio, você puxaria (para longe de você) nas 12h e levaria ao centro. Depois às 6h (na sua direção) e ao centro. Depois às 3h (puxando pra direita) e às 9h, sempre dobrando pro centro.


3) Coloque a massa dobrada sobre um pano de prato enfarinhado, com as dobras para baixo, e feche o pano cobrindo a massa, como se fosse um envelope. Deixe descansar por mais 2h.



4) Quando faltarem 30 minutos para acabar as 2h, preaqueça o forno a 245º, com uma panela lá dentro, de preferência de ferro e com tampa (tem que poder ir ao forno, sem cabo de plástico).


5) Completadas as 2h de descanso da massa, coloque, com cuidado, o pão na panela pelando do forno, tampe (se não tiver tampa, use papel alumínio), e deixe no forno por 30 minutos. Após esse tempo, retire a tampa e deixe por mais 20 minutos para dourar bem a casca.


6) Tire a panela do forno, tire o pão da panela e deixe-o esfriar sobre uma grade (pode usar as grades do seu fogão!). Tá prontinho, seu bebê nasceu.


Com vocês: Enzo.

O próximo será com levain. Aí sim vai ser tamagochi nível hard.

Segunda sem carne com meu pão fresco

Enquanto você prepara, sugiro colocar essa música na sala de parto:


"O amor é como um grão

Morre e nasce trigo

Vive e morre pão˜

© 2019 COMIDA DE COMER - Natália Jorge

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